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“Só me traz mais responsabilidade”, disse Zé Ricardo ao definir a chance de comandar o Flamengo

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Mesmo sendo questionado por seu trabalho no clube de maior torcida do futebol brasileiro, o treinador Zé Ricardo, consegue superar as dificuldades e obstáculos no comando do Flamengo. Depois de passar pelas categorias básicas do clube e realizar um trabalho no futsal em outros times, o treinador aliou o aprendizado do campo e futsal para colocar em campo sua ideologia.

Do Rio de Janeiro, depois da matéria EXCLUSIVA, para o Pódio, do jornal Amazonas em Tempo, no último dia 25 de junho, o SPORTS MANAUS, aproveita para relatar na integra a matéria com Zé Ricardo, que em pouco tempo assumiu um dos grandes clubes do futebol brasileiro e mundial, mas que consegue vencer seus adversários dentro e fora de campo com trabalho no clube.   

SPORTS MANAUS – Zé Ricardo, como jogador você se aposentou ainda nas categorias básicas, passando pelo São Cristóvão e “pendurando as chuteiras” no juniores do Olaria. Qual foi o motivo de finalizar prematuramente o início de sua carreira no futebol de campo?

Treinador disse que conquistar o primeiro Estadual foi um sonho (crédito: Gilvan de Souza/Flamengo)

ZÉ RICARDO – Tentei o quanto pude, mas percebi que não poderia evoluir mais do que apresentava naquele momento. Apesar de amar jogar futebol, não tinha os necessários requisitos técnicos para evoluir na carreira. Daí fui buscar realizar meu sonho de outra forma.

SPORTS MANAUS – Do futebol de campo você migrou para o futsal, chegando a jogar profissionalmente até aos 25 anos, mas deixando de jogar muito cedo. Essa parada repentina foi necessário ou circunstancial?

ZÉ RICARDO – As duas coisas: anos antes havia perdido meu pai. Eu e meus dois irmãos ajudávamos a minha mãe em casa. Além disso, tinha decidido que iria trabalhar com o futsal (uma grande paixão). Queria fazer isso, que forma mais profissional e seria possível realizar.

SPORTS MANAUS – Aos 21 anos, você treinou a tradicional equipe de futsal da Vila Isabel. Devido os bons resultados conquistados, foi trabalhar na base do Botafogo e Vasco, na década de 1990, com jogadores como Pedrinho e Felipe, no infanto-juvenil. O trabalho de treinador no futsal foi fundamental em sua carreira?

Zé Ricardo além de treinador tem seu lado de educador (crédito: Gilvan de Souza/Flamengo)

ZÉ RICARDO – Certamente que sim, já que o futsal, é ainda hoje no meu modo de entender, um grande celeiro de atletas e profissionais para o futebol de campo. Além disso, como havia praticado e amava jogar, tinha verdadeira adoração em desenvolver meus atletas com essa modalidade. Tudo que se faz com amor tende a sair bem feito, e acredito que cumpri bem essa fase da minha trajetória.

SPORTS MANAUS – Você trabalhou na base no futebol de campo, além de ter sido jogador e treinador no futsal. O fato de vivenciar essas duas vertentes nas duas modalidades contribuíram muito para seu conceito técnico e tático, atualmente no futebol de campo?

ZÉ RICARDO – Também acho que sim. O Futsal é um esporte que se desenvolve em grande intensidade e que, praticamente une ataque e defesa nas mesmas ações, aspecto muito parecido com as dinâmicas hoje no futebol de campo. Além disso, tecnicamente o atleta é bastante estimulado no futsal, graças ao grande número de vezes que ele “toca” na bola por partida. Fazendo uma comparação hipotética, pode-se desenvolver no campo, várias quadras de futsal e, com isso, a movimentação e fluidez do jogo. 

SPORTS MANAUS – Você chegou no Flamengo em 2005, na equipe mirim do clube e passou por várias categorias dentro da base, inclusive foi campeão Estadual de juniores e conquistou a Copa São Paulo ano passado. Como foi esse trabalho na base do clube? 

No comando do Flamengo, Zé Ricardo já tem mais de um ano (crédito: Gilvan de Souza/Flamengo)

ZÉ RICARDO – Muito bom e prazeroso. Confesso, não imaginava chegar ao profissional do clube de forma direta como foi, até porque não são frequentes em grandes clubes trajetórias como essa. Mas me preparei para esse momento, vivendo intensamente cada etapa e pensando dia a dia no melhor para o clube e meus atletas. Me sinto muito feliz, em fazer o que faço, e no clube que faço. 

SPORTS MANAUS – O fato de conhecer praticamente todo trabalho das categorias básicas do Flamengo é algo que poderia ser praxe comum a todos os treinadores que trabalham em qualquer equipe do futebol brasileiro? 

ZÉ RICARDO – Olha, difícil a reposta, pois cada clube tem a sua história, tradição e planejamento. Mas as coisas acontecendo positivamente, acredito que possa servir de reflexão para aqueles profissionais que dirigem outros clubes no Brasil a fazer escolhas para profissionais “da casa”. O que posso dizer é atestar que conhecer bem o clube, facilita e muito o desenvolvimento de um trabalho a médio e longo prazo. 

SPORTS MANAUS – Zé Ricardo, você é professor e lecionou Educação Física no Ciep, em Presidente Salvador Allende, no Rio de Janeiro, na qual você preza muito pela educação. Como é trabalhar com sua filosofia educacional no futebol, onde você encontra situações muito aquém da educação? 

Zé Ricardo deixou de treinar a seleção brasileira sub-20 para ficar na base do Fla (crédito: Gilvan de Souza/Flamengo)

ZÉ RICARDO – Tento trazer, através de exemplos, o que penso de Educação x Esporte para a formação de atletas e cidadãos participativos na sociedade. Na base é bem mais importante a nossa missão. Acho que o Flamengo é um exemplo nesse sentido. Temos preocupações imensas com o desenvolvimento social-educativo daqueles jovens atletas, que ainda não atingiram o mundo profissional e vivem diariamente essa incerteza. Eles precisam se conscientizar e se preparar (desenvolver) como um cidadão de bem, com conceitos e valores positivos para viver em sociedade e de forma produtiva.

SPORTS MANAUS – Como foi assumir o Flamengo no lugar do consagrado Muricy Ramalho, no jogo com a Ponte Preta, pela quarta rodada do Brasileirão ano passado, na vitória de 2 a 1. Como foi essa emoção, em sua primeira partida na frente do Fla?

ZÉ RICARDO – Inesquecível, mas muito difícil também. O professor Muricy, além de super vitorioso e competente, é uma grande referência no futebol. Substitui-lo por motivo de saúde num momento que o Flamengo estava em transformação (ele era a parte fundamental desse processo), demandou muito esforço de todos os setores do clube. Fui um felizardo nesse aspecto, pois tive o auxílio de muita gente boa para ultrapassar àquele momento e conseguir colocar o Flamengo novamente brigando pelas principais colocações no Campeonato Brasileiro. Agradeço muito à todos por isso !!!

SPORTS MANAUS – Como você define a emoção de conquistar o Campeonato Carioca ano passado de forma invicto, na partida diante do Fluminense, com duas vitórias nas partidas finais?

ZÉ RICARDO – Maravilhoso! Foi um dos dias mais felizes da minha vida profissional. Sou nascido e criado no Bairro do Maracanã, e ainda hoje vivo muito perto do estádio. Cresci vendo jogos inesquecíveis, emblemáticos e poder estar ali, disputando um Fla x Flu, com o estádio lotado parecia um sonho. E foi… Um sonho de criança, realizado não como jogador, mas como treinador de um clube fantástico, com a maior torcida do Brasil. Ficará para sempre na minha memória !!!

SPORTS MANAUS – Você tem a chance de comandar o time de maior torcida do Brasil e cobiçado por treinadores de todo país e até do exterior. Pode explicar essa sensação de ter nas mãos essa grande paixão nacional?

ZÉ RICARDO – Engraçado quando paro para pensar nisso, acho que um pouco dessa sensação foi respondida nas perguntas anteriores. Mas isso só me traz mais responsabilidade para fazer cada vez mais e melhor. Trabalhamos muito, eu e toda a minha comissão técnica, para que, juntos com a diretoria do clube, possamos trazer muitas vitórias e, consequentemente conquistas para o Flamengo.

SPORTS MANAUS – Você chegou no Flamengo na categoria mirim em 2005, mas  imaginava ter a chance de comandar o time profissional? É a realização de um sonho e aconteceu tudo muito rápido?

ZÉ RICARDO – Como disse, difícil imaginar por todo o caminho percorrido (do futsal ao campo, passando por todas as categorias de base). Mas o Flamengo tem exemplos de grandes treinadores formados no clube: Claudio Coutinho, Carlinhos, Carpegiani e Jayme de Almeida (hoje nosso auxiliar). São apenas alguns exemplos desse fato. Acho que isso também ajudou a direção do clube a escolher pelo meu nome na hora da decisão. Me sinto honrado e feliz de estar traçando o mesmo caminho desses profissionais tão importantes para o clube.

SPORTS MANAUS – Ao assumir o Flamengo, você estava preparado para ser treinador da equipe mais popular do Brasil e sofrer toda uma pressão por resultados pela torcida e diretoria?

ZÉ RICARDO – Tecnicamente sim, mas lógico não serei hipócrita em dizer a experiência era a ideal. Novamente, com o apoio de muitas pessoas, inclusive profissionais da base, fomos evoluindo nesse aspecto. E continuaremos assim, pois a vida é e sempre será um eterno aprendizado, sempre em busca do conheci mento !!!

SPORTS MANAUS – O Campeonato Brasileiro é uma competição muito difícil e quem luta para ser campeão tem que manter uma boa regularidade para se manter na ponta da tabela. Em sua opinião, o Flamengo tem chances de lutar pelo título ou ainda é muito cedo para afirmar isso?

ZÉ RICARDO – Não começamos bem a competição e agora buscamos uma recuperação. Ainda é cedo para qualquer prognóstico, mas lógico que, com as condições que temos, queremos e iremos trabalhar para buscar essa conquista. Pensando jogo a jogo, vamos atrás dos nossos desafios …

SPORTS MANAUS – A desclassificação da Libertadores foi algo que não se esperava, e como você conseguiu superar a saída prematura da maior competição sul-americana?

ZÉ RICARDO – Muito difícil e ainda dói em todos nós, principalmente do jeito que foi. Mas precisamos pensar para frente e tirar as lições que tivemos dessa classificação para nos fortalecer para o futuro.

SPORTS MANAUS – Você citou em uma entrevista, que o esquema 4-1-4-1 pode variar taticamente para o 4-4-2, ou para o 4-2-3-1 com facilidade. Zé Ricardo, pode explicar porque admira tanto esse esquema tático e desde quando começou a adotar?

ZÉ RICARDO – Acredito ser de fácil fixação para os atletas e as variações também são simples e, principalmente eficazes no desenvolvimento das partidas. Como plataforma “raiz”, podemos organizar a equipe com situações de saída de 4 ou de 3 jogadores.

SPORTS MANAUS – Você foi convidado para treinar a Seleção Brasileira Sub-15 em 2015. Depois de 48 horas recusou o convite e afirmou numa entrevista que foram as horas mais difíceis de sua vida. Porquê?

ZÉ RICARDO – Tinha acabado de assumir o sub-20 do clube e estava muito animado com os primeiros resultados da categoria e as projeções futuras. Ao mesmo tempo, representar o meu país era (e ainda é) um sonho, que veio naquela ocasião na forma de treinador do sub-15. Durante dois dias pairou uma séries de questionamentos na minha cabeça e, em conversas com amigos e familiares mais dúvidas. No final, respondi com o meu coração e fiquei no Flamengo. Acabamos campeões Estaduais naquele ano, vencendo os dois turnos. Com aquela base, conquistando de forma invicta a Copa São Paulo de Futebol Júnior em 2016. Um título FANTÁSTICO.

SPORTS MANAUS – Zé Ricardo, o que você pensa e espera do seu futuro no futebol como um todo?

ZÉ RICARDO – Bem, penso que o esporte irá continuar se desenvolvendo nos aspectos físicos e táticos, mas que o grande diferencial continuará sendo a técnica. Cada vez mais, em jogos de muita intensidade e equilibrado na sua organização, o jogador inteligente, saudável e técnico irá fazer a diferença. Novas tecnologias de apoio aos atletas e comissão técnica deverão aparecer, e isso tornará o futebol cada vez mais globalizado, com praticamente todos os clubes elevando o seu nível de jogo. Hoje, como todos nós já vimos e constatamos, “NÃO EXISTE MAIS BOBO NO FUTEBOL”. E a tendência é essa máxima cada vez mais se fazer valer…



EDITOR - Paulo Rogério Veiga, comunicador esportivo, repórter, radialista e agente business de jogadores e treinadores. Contato 55+ (92) 99171-9226 vivo/watsap / 55+ (92) 98193-1304 tim/watsap. Email: pauloreporter@hotmail.com / pauloimprensa@gmail.com Leia mais em sobre o editor clicando aqui.