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Técnico Ricardo Lunari destaca aprendizado com Bielsa, Martino e Pellegrini e revela seu trabalho no futebol

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Revelado nas divisões de base Newells Old Boys, Ricardo Gabirel Lunari del Federico, natural de San Jose de la Esquina, na província de Santa Fé, na Argentina, conhecido como Ricardo Lunari, já disputou por duas vezes a Libertadores, inclusive jogando com São Paulo, na época do treinador, Tele Santana, mas sendo derrotado na final.

Lunari, que conquistou grandes resultados no futebol sul-americano, agora busca outros caminhos no futebol mundial. O ex-jogador, que ao longo dos anos vem realizando um trabalho satisfatório, teve a chance de trabalhar com treinadores consagrados do futebol mundial, como da Seleção Chilena, Marcelo Bielsa, Tata Martinho e Pellegrini.

De Buenos Aires, com EXCLUSIVIDADE ao SPORTS MANAUS, o treinador destaca sua carreira, diz que pretende atuar em outros locais, comentou sobre o futebol sul-americano, entre outros assuntos relevantes ao seu trabalho no futebol. 

SPORTS MANAUS – Como foi o início de sua carreira de jogador na equipe do Newell’s Old Boys, em 1991?

Como jogador, Lunari enfrentou o São Paulo na final da Libertadores (crédito: reprodução)

RICARDO LUNARI – A estreia foi na primeira divisão do futebol argentino com Newells Old Boys, foi muito difícil, porque tinha uma grande quantidade e qualidade de jogadores na equipe. Os jogadores foram excelentes e a categoria de garotos das divisões menores não custou muito para serem grandes jogadores. Fui alvejado por muito tempo nas divisões menores por Marcelo Bielsa, onde o conhecimento que ele tinha foi suficiente para estrearmos numa equipe de ponta, como era o Newells Old Boys.

SPORTS MANAUS – O senhor pode explicar a experiência de chegar na final da Libertadores, com a Universidade Católica, em 1993? Foi uma passagem marcante em sua carreira?

RICARDO LUNARI – Em 1992 chegamos com Newells na final da Copa Libertadores com São Paulo. Depois de dois jogos, o São Paulo venceu na final nos pênaltis. Esse passo na Copa Libertadores, permitiu a Universidad Católica comprar meu passe e cheguei ao futebol chileno, em 1993. Naquele ano, formamos uma grande equipe que chegou à final da Libertadores. Tive que jogar novamente com São Paulo, do treinador Tele Santana. Estas duas finais abriu a porta do futebol mexicano, e no final de 1993 fui comprado pelo Atlas de Guadalajara. Eu acredito que esta fase, tenha sido fundamentais para o meu futuro.

SPORTS MANAUS – Treinador, mesmo com toda sua experiência no futebol e trabalhando com jogadores famosos, o senhor fez um curso de treinador para adquirir novos conhecimentos?

RICARDO LUNARI – O curso de treinamento na Argentina se desenvolve em dois anos, com aulas semanais e materiais muito importante na formação do treinador como tática, formas de treinamento, psicologia, língua, campo, estratégia, ou seja, materiais que são fundamentais para enfrentar os desafios da profissão. O melhor de tudo, é que o curso é reconhecido em todas as ligas do mundo.

Lunari quando foi jogador pelo Millionarios da Colômbia (crédito: reprodução)

SPORTS MANAUS – Seu primeiro clube como treinador foi numa equipe boliviana da primeira divisão, o Guabirá. Como foi essa experiência de treinar um time, de um país com pouca expressão na América do Sul?

RICARDO LUNARI – Esse primeiro trabalho de treinador no Guabira foi muito difícil, porque estava apenas começando, tinha muitas limitações, situações que tiveram de ser resolvidas. Apesar de não obter os melhores resultados, me ajudou muito, me ensinou uma coisa, no que foi estudado no curso de treinador.

SPORTS MANAUS No Guabira, depois de cinco jogos, o senhor saiu devido a campanha da equipe. Pelo fato de ter sido seu primeiro clube, o senhor sentiu a falta de uma maior experiência?

RICARDO LUNARI – Sim, o primeiro emprego foi muito complicado, porque o clube não tinha as condições mínimas para trabalhar e ainda fui obrigado a obter resultados. Minha falta de experiência jogou contra mim, mas tive que aceitar as condições do clube. Claro que depois, que aprendi é melhor esperar por uma oferta de um clube com condições para realizar um trabalho eficaz com materiais, infraestrutura e a possibilidade de escolher uma equipe com jogadores que podem interpretar o pensamento de experiência com nossa equipe técnica.

SPORTS MANAUS – Como foi sua primeira experiência como assistente ao lado de Fernando Gamboa, quando foi treinador do Newell’s Old Boys, em 2008?

Ao centro, o treinador coloca em prática tudo que aprendeu com Bielsa, Martino e Pellegrini (crédito: reprodução)

RICARDO LUNARI – Essa primeira experiência de assistente, com Fernando Gamboa, foi muito enriquecedora, aprendi muito e nos três estágios que passei como assistente em clubes, como Newells, Chacarita e Colon. Tudo isso, começou a moldar o meu trabalho de treinador que queria ser. Com o trabalho, horários e valor tático de Gamboa, me tornei um treinador melhor e foi um aprendizado valoroso.

SPORTS MANAUS – O senhor teve a chance de trabalhar como assistente de Bielsa, na Seleção do Chile, além de Martino e Pellegrini. Como define esse trabalho com treinadores consagrados do futebol mundial?

RICARDO LUNARI – Na oportunidade de trabalhar com Bielsa, na Seleção do Chile, tive a sorte da aprender com vários trabalhos práticos, que me ajudaram como treinador. Conhecer o trabalho de Martino e ser conduzido por Pellegrini, foi a realização de um grande sonho, na qual me direcionou com minha filosofia, onde coloco em prática com minhas equipes de futebol. Depois de alguns anos, compreendi que minhas equipes devem pensar obsessivamente sobre como ganhar todos os jogos.

SPORTS MANAUS – Em 2014, o senhor voltou ao Newell’s Old Boys, mas agora como treinador e comandou jogadores consagrados como Ever Banega, Maxi Rodriguez, Gabriel Heize, Bernardi, Cáceres e David Trezeguet. Como foi passagem com jogadores famosos do futebol mundial?

RICARDO LUNARI – Voltar ao Newells significou para mim um retorno a minha casa, ao clube onde nasci, que me deu a chance de estrear na primeira divisão, por isso, foi um grande prazer. Quando Newells foi eliminado da Copa Libertadores, tive a sorte de ser escolhido para treinar durante os últimos sete jogos do Campeonato Clausura 2014. Naquele momento, foi uma enorme responsabilidade, mas uma oportunidade única de liderar uma equipe de muitas estrelas. Aproveitei cada minuto para aprender ao lado de monstros do futebol mundial.

Ricardo Lunari já conquistou bons resultados no futebol sul-americano, mas deseja trabalhar em outros países e continentes (crédito: reprodução)

SPORTS MANAUS – No Milionários da Colômbia, quando assumiu, a equipe estava a 14 partidas sem ganhar, mas pelo seu trabalho chegou em terceiro, perdendo apenas na semifinal, na cobrança de pênaltis. Como define esse trabalho?

RICARDO LUNARI – Ter a oportunidade de liderar a maior equipe da Colômbia foi um sonho para mim. Levamos os últimos jogos do ano de 2014 para fazer uma avaliação, e nesses jogos analisei os pontos fracos e começamos a trabalhar para 2015. Quando o treinador tem o apoio de dirigentes, estão empenhados, os jogadores assimilam as determinações técnicas, é muito provável que o projeto tenha sucesso. Infelizmente perdemos na semifinal nos pênaltis, mas o trabalho foi muito gratificante, onde atingimos 17 jogos invictos, sendo que em casa não tivemos uma derrota.

SPORTS MANAUS – Na equipe do Blooming, da Bolivia, conseguiu classificar para Libertadores de 2018. Explique esse trabalho na disputa do maior torneio sul-americano?

RICARDO LUNARI – O Blooming é uma equipe muito boa ofensivamente, mas com muitas falhas na defesa. Para um time jogando com equipes e cidades de altura Bolívia é muito difícil conseguir permanecer em terceiro lugar. Nas eliminatórias para a próxima Copa Libertadores era o grande objetivo, e nós atingimos nossa meta. Trabalhar com apoio sempre traz bons resultados.

SPORTS MANAUS – Treinador, já tem um trabalho reconhecido no futebol sul-americano, mas pretende atuar em outros continentes e até no Brasil?

RICARDO LUNARI – Sim, o nosso objetivo é sempre ter sucesso em outros locais, além dos países onde trabalhamos. Claro, que gostaria de aprender com novos estilos e novos países. O sonho europeu é para qualquer sul-americano, mas eu adoraria ter um dia a capacidade de liderar e trabalhar no Brasil. Acredito que as características futebolistas dos brasileiro é ideal para a realização de nosso sistema. A paixão pelo futebol ofensivo se encaixaria muito bem com as nossas ideias.

SPORTS MANAUS – Quais são as maiores dificuldades que um treinador enfrenta no seu trabalho diário, em especial no futebol sul-americano, já que o senhor trabalhou grande parte no continente?

RICARDO LUNARI – As maiores dificuldades que qualquer treinador pode enfrentar no futebol sul-americano é o econômico, uma vez que a falta de apoio financeiro impede um corpo técnico ter as condições ideais para o trabalho. Por exemplo, como infraestrutura, equipamentos e outros itens de trabalho. Não se pode levar a frente o projeto, porque deve se adaptar às condições oferecidas pelos clubes, em sua maioria muito inferior ao que é necessário para um trabalho eficiente.



EDITOR - Paulo Rogério Veiga, comunicador esportivo, repórter, radialista e agente business de jogadores e treinadores. Contato 55+ (92) 99171-9226 vivo/watsap / 55+ (92) 98193-1304 tim/watsap. Email: pauloreporter@hotmail.com / pauloimprensa@gmail.com Leia mais em sobre o editor clicando aqui.