Da redação do Sports Manaus, com informações – Lance! – Por Vicente Seda•Rio de Janeiro (RJ) – 12/09/202616:26 – Atualizado em 12/09/202616:38
Autor de ação no Cade, CSA toma a frente de investida contra gestão do bloco em meio a disputas por formação de liga única sob chancela da CBF
Foto: Rafael Ribeiro/CBF
A guerra nos bastidores continua e a administradora do Condomínio Forte União (CFU), estrutura empresarial que faz a gestão da liga de clubes Futebol Forte União (FFU), sofre novo ataque do CSA, de Alagoas. É mais um movimento que faz parte de um cenário mais abrangente que envolve disputas comerciais entre emissoras, a Connfederação Brasileira de Futebol (CBF) e gigantes do mercado financeiro como General Atlantic e XP Investimentos. O clube acusa o administrador do CFU, Gabriel Ribeiro Lima, de conduzir negociações sem conhecimento dos integrantes do grupo.
As tratativas que, segundo o time alagoano, configuram descumprimento contratual foram com o Itaú, e com a Liga do Futebol Brasileiro, a Libra, o outro bloco de clubes que se formou a partir da impossibilidade de união há algus anos com os membros da atual FFU. Nos documentos obtidos pelo Lance!, o CSA afirma que tais alegações justificam abertura de processo para substituição de Gabriel Lima.
Consultada pela reportagem, a adminstradora do CFU emitiu o seguinte comunicado:
“A notificação do CSA apresenta conclusões que não encontram respaldo nos fatos e documentos mencionados. Todos os questionamentos apresentados serão respondidos formalmente, com base nos registros e procedimentos previstos na governança do Condomínio Forte União”.
As notificações
Foram enviadas quatro notificações nesta sexta-feira (11) pelo CSA: para Gabriel Lima, com cópia para Carlos Gamboa, sócio fundador da Life Capital Partners (LCP), que controla a Sports Media Entertainment (SME), principal investidora da FFU e também notificada; para a Itaú BBA Assessoria Financeira; e para a ODDZ Network, grupo que engloba de agência de marketing esportivo a produtora de conteúdo e tem como sócios fundadores o ex-jogador Ronaldo Fenôneno e Gabriel Lima.
A sociedade dos dois também já foi alvo de notificação anterior do CSA, questionando a relação que, segundo o clube, implica em conflito de interesses. Sobre essa questão, o próprio executivo emitiu nota negando qualquer tipo de compartilhamento indevido de informações.
Nos ofícios para Itaú e ODDZ Network, o CSA destaca que não imputa às notificadas qualquer tipo de ilícito ou irregularidade, requerendo somente a preservação de dados e mensagens emitidas ou recebidas por Gabriel Lima e que digam respeito, direta ou indiretamente, ao CFU ou à FFU.
Já no documento enviado diretamente a Gabriel Lima, com cópia para Carlos Gamboa, o CSA requer, além da preservação dos registros e dados, uma remessa com o seguinte conteúdo:
“a) do histórico integral das tratativas com o Banco Itaú S.A. no âmbito da proposta referida na
ata — correspondência eletrônica, mensagens, apresentações, propostas, minutas e registros de
reunião —, desde o primeiro contato, com indicação de quem delas participou;
b) do histórico integral das tratativas com a Libra, nos mesmos termos, inclusive do documento
não vinculante e de suas versões anteriores;
c) da gravação audiovisual da reunião de 22 de junho de 2026 e das apresentações nela exibidas”.
CSA toma a frente de ataques à gestão do CFU
O CSA está literalmente na linha de frente dos ataques à estrutura da FFU que buscam, em última análise, liberar os direitos de transmissão dos clubes para negociação através de uma liga única a ser criada com a chancela da CBF. Além do alegado conflito de interesses pela sociedade entre Gabriel e Ronaldo, o clube de Alagoas também foi responsável pela ação no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), que analisa a operação da FFU e no fim de junho emitiu uma decisão proibindo que fossem criados obstáculos para a saída de membros.
A decisão provocou preocupação até nos membros de maior pujança no bloco, como o Corinthians, que chegou a cogitar em notificação ao investidor a saída do bloco caso a medida não fosse revertida. E ainda não foi. Esse processo é a principal aposta tanto dos membros insatisfeitos com a FFU, como veladamente da CBF, para a ruptura do acordo de cessão de percentuais dos direitos por 50 anos. Para a CBF, esse hoje é o principal entrave para a formação de uma liga única.
A entidade já deixou uma impressão digital na crise. O Sindicato Nacional das Associações de Futebol Profissional (Sinafut) entrou com ação na Justiça de Brasília questionando a operação de emissão de R$ 950 milhões em debêntures pela SME. E o tribunal questionou a legitimitade do Sinafut, que tem em sua diretoria dois vice-presidentes da confederação.
Outro cacique da entidade tem enorme influência no futebol alagoano, terra do CSA. Gustavo Feijó, diretor de futebol masculino da CBF, é pai de Felipe Feijó, presidente da Federação Alagoana de Futebol (FAF), reeleito em maio deste ano. É também irmão do empresário João Feijó, patrono do Corinthians-AL, mas que tem também estreita relação com o CSA, ainda que sem cargo oficial. Em 2025, ele ajudou até na montagem do elenco.

